sexta-feira, dezembro 30, 2005

O Palhaço

Era uma vez um palhaço
que vivia no seu mundo:
o circo e a sua gente.
Tinha nervos, tinha sangue,
tinha tudo...tinha filhos,
tinha sonhos e desejos
e bondade natural.
Mas um dia este palhaço,
esmagado pela dor
com a morte da mulher,
já não ria como dantes,
fora do circo e do mundo,
embora fosse palhaço
logo à noite, outra vez.
E ria, ria por fora
e ria de tal maneira
que toda a gente sorria.
Só eu, porque sabia,
não ria...antes pensava
na luta daquela alma
feita de força e de crença
à espera do momento
de voltar ao camarim.
Vão surgindo os aplausos,
com palmas de toda a gente,
e o palhaço no seu posto,
a cumprir o seu destino,
sorri, sorri novamente
embora eu lhe notasse
que chorava lá por dentro.

Mas cumpriu a sua missão
fazendo rir toda a gente
ao tomar a posição
de fingir completamente

Era um palhaço perfeito
e tinha uma cicatriz
do lado esquerdo do peito,
feita no circo, em petiz.

Seu pai fora palhaço,
sua mãe equilibrista,
seu filho será palhaço
ou talvez malabarista.

António Baptista

segunda-feira, dezembro 26, 2005

terça-feira, dezembro 20, 2005

Canetas e Folhas

Uma folha em branco é como eu…
Um papel sem dono que pode ser escrito por todos…
Pode formar palavras…pode fazer sorrir…pode fazer chorar…
Pode levar a amar…pode fazer esquecer…
Pode ser reescrito por quem quiser levantar a caneta…
Mas por vezes esse papel fica gasto…
Gasto de tanto ser escrito e reescrito…
Nessas alturas torna-se apenas um pedaço de papel amarrotado sem vida…
Já fui de muitas cores e inclusive já fui reciclado…
Já ensinei crianças a escrever…
Já fui alvo de batalhas sentimentais…
Já fui o sonho de uma adolescente no seu primeiro amor…
Dentro de um pedaço igual a tantos outros já fui especial para alguém…
Já choraste com as palavras que escreveram em mim…mas nunca te lembraste que talvez tenha sido eu a reinventar essas letras…
Um dia enganei-te….
Troquei as palavras que tinhas escrito e fiz delas poemas de paixão, de loucura, de insanidade verbal…
Ficaste confuso e tentei explicar-te que tudo é reinventado a cada milésimo de segundo…
Expliquei-te que se tentares podes escrever uma nova história com capítulos de vida…com passagens de verdade…
Mas tu não quiseste entender ou simplesmente não quiseste saber…
Então escrevi eu…
Escrevi outra versão daquela história que podia ter sido a história da nossa vida…e passou a ser apenas uma história….
Mudei de página…de cor…de caligrafia …de caneta…
Troquei-te por aquela caneta de tinta permanente, que todos querem ter mas não sabem aonde se encontra…
Encontrei-a….
É agora minha….e tenho a certeza que tal como a tinta que não se esgota, a minha folha vai dar novas folhas, novos capítulos, diferentes versões…que um dia serão livros…
Talvez um dia abras esse livro…escrito pela caneta de tinta permanente e entendas…
Foi tua…foi minha…foi nossa…Mas…foi escrever uma nova historia!
Pérola

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Porque sim II

Um homem sábio pode considerar a vida uma comédia, uma tragédia ou uma farsa, e ainda assim aproveitá-la.

Harry Emerson Fosdick

sábado, dezembro 10, 2005

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Amigo

Ter um amigo é maravilhoso.
Ser amigo de alguém ainda é melhor.
É como acordar e sentir o sol a brilhar.
Um amigo é alguém com quem se está bem.
Mas um amigo é muito mais do que isso!
É alguém que pensa em ti quando não estás aqui.
Alguém que bate com os dedos na madeira
quando tu tens de fazer coisas difíceis.
Nunca se realmente só quando se em um amigo.
Um amigo ouve o que tu dizes
e tenta compreender o que não sabes dizer.
Mas um amigo não está sempre de acordo contigo.
Um amigo contradiz-te
e obriga-te a pensar honestamente.
Um amigo gosta de ti mesmo que tenhas um fracasso.
Um amigo ensina-te a gostar de coisas novas.
Não terias imaginado essas coisas se estivesses sozinho.
Amigo é uma palavra bonita,
é quase a melhor palavra!
Um amigo é alguém que tem sempre para ti
quando apareces.
Toda a gente pode ter um amigo.
Mas não vivas tão apressado que nem vejas
que há alguém que quer ser teu amigo.
Um amigo é alguém que é para ti uma festa.
Alguém que pensa em ti e te ouve
e te ajuda a saber quem és.
Alguém que te ajuda a descobrir as coisas.
Alguém que está contigo e não tem pressas.
Alguém em quem tu podes acreditar!

Quem é o teu amigo?

Autor: A identificar

quinta-feira, dezembro 01, 2005

terça-feira, novembro 29, 2005

Tu

Quando sem receio se aproxima a vaga que da noite escura retirou abrigo, encolho os ombros e sobranceiramente procuro refúgio das tormentas que criaste. São rochas intransponíveis que crias sem saber dos amargos de boca, são trapos rasgados que a imaginação não se atreve a deslindar. Papeis queimados que não lemos, antes nos sujam as mãos em tons de negro triste. E quando as lágrimas derramadas nos lembram o que fomos não basta a vastidão ingénua dos nossos sonhos para romper com o cordão que nos prende. Sem perdão chamo o teu nome, gritando até ao limite. Grito e grito mais algo, mas não me ouves. Enquanto o ecoar das tuas dúvidas se perpetuar pelas veias do teu corpo cada pedaço de mim desfalece por entre mortes sagradas. Mais que o desejo, mais que o medo, mais que todos os demónios que povoam a insanidade do nosso ser, mais que o sentido nefasto do cheiro que em mim deixaste quero-te.

Falco

segunda-feira, novembro 28, 2005

sábado, novembro 26, 2005

Danko Jones - Blood



Agressivo e directo!! Este álbum é puro rock!!

Vasco 2005

sexta-feira, novembro 25, 2005

Paladares



Entranhado na encosta de Brufe - Terras de Bouro - espreita sem complexos a beleza do Portugal que o Homem ainda não destruiu.

Acresce, o irresistível prazer do paladar.

Vasco 2005

Procurei-te


Braga - Portugal

quarta-feira, novembro 23, 2005

Ferido

O dia acorda cinzento, zangado com a noite e os seus delírios galácticos.

Ele tinha todas as razões para reflectir uma carga indesejável ao mais comum mortal. E assim foi: vento, chuva, trovoada e até, imagine-se, sapos a cair do céu. Provocou cortes na luz falsa, nas comunicações desnecessárias, na água poluída – para já, nada a lamentar – e para os mais sensíveis promoveu cortes no coração – isto é que não.

Um dos afectados fui eu, acusava a cor, o clima, os vizinhos, os amigos, os pseudos, os eventuais, os de curto prazo... Acontece que provavelmente as razões serão outras: não quero assumir que a causa de tudo – do nada – é A INEVITABILIDADE DA PREVISIBILIDADE INDESEJADA. Nesta cabe, ente outras coisas, o sentimento de que o AMOR NÃO EXISTE E A INJUSTIÇA IMPERA: como é possível?!

Nem danças oníricas, nem terapias divanescas, ou mesmo espirros intelectuais que optimizam níveis perceptivos. O CORAÇÃO ESPONJADO PETRIFICOU.

Ruben 2005

terça-feira, novembro 22, 2005

A TI…

Encontrei-te por sentimentos recíprocos…
Encontrei-te pelo sentido sem sentido…
Encontrei-te no nada do tudo…
Percebi que em ti habitava um ser igual ao meu…
Entendi que as tuas imagens eram as minhas palavras….
Compreendi que jamais vais deixar de voar….
Tens umas asas do tamanho do universo…mas tens medo de abraçar o mundo…
Tens o dom na sensibilidade…
Tens a magia de saber que dentro de ti…és tu…apesar de todos…
As tuas imagens são a compreensão de sonhos perdidos mas nunca esquecidos…
Contei-te verdades que só são minhas e entendeste-as como quem conta uma história de encantar…
Tiraste cada palavra de mim e sugaste-as com fervor…ânsia de mais e mais…
Nunca vai ser demais porque quem entende…compreende…e …sente…
Tu sentes dentro de ti o que vejo dentro de mim….
Tu vês dentro de ti…o que sinto dentro de mim…

Obrigado deuses…por ti…

Pérola 2005

domingo, novembro 20, 2005

sábado, novembro 19, 2005

do amor

vós todos, que servis de alimento a qualquer milhafre insaciável;

- vós, poetas hoffmanianos que dançais ao som de harmónios nas regiões de cristal ou que um violino despedaça, tal como uma lâmpada nos rasga o peito;

- vós, contemplativos vorazes e exigentes a quem mesmo o espectáculo da natureza comunica êxtases perigosíssimos: que para vós o amor seja um calmante.

e vós, poetas tranquilos - poetas objectivos -, partidários ilustres do método -, arquitectos do estilo-, políticos que tendes uma tarefa de que dar conta todos os dias: que o amor seja para vós um excitante, uma bebida tonificante e tónica, e que a ginástica do prazer seja para vós um constante incitamento à acção.

para uns as poções repousantes, para os outros os álcoois.

mas para vós, vós para quem a natureza é cruel e o tempo precioso, que o amor seja para vós um revigorante que vos aqueça e reanime.

Beaudelaire

quinta-feira, novembro 17, 2005

Gipsy Project & Friends



Quando a raça Gipsy nómada se traduz em musica.

Vasco 2005

quarta-feira, novembro 16, 2005

terça-feira, novembro 15, 2005

Sou o que sou.

Sou uma pessoa estupidamente normal: não tenho comportamentos obsessivo-compulsivos, gosto moderadamente de ultrapassar os limites, não sou viciado na internet, em sexo, em álcool, em cocaína, em coleccionismo, em compras, em terapias, em tabaco, ou psicotrópicos; sou um dependente afectivo moderado e não observo rigorosamente as indicações do médico. Pronto! Sou o que sou.